Escolha uma Página

A Água no DF

Apesar de jovem, 57 anos,  Brasília enfrenta problemas comuns às grandes de metrópoles, mas imaginar uma crise de desabastecimento de água nunca passou pela cabeça dos moradores da cidade.  Ver a pressão da água reduzida nos canos e o rodízio de corte em pleno início de ano por conta da redução nos níveis  dos  dois reservatórios  que abastecem o Distrito Federal,  Santo Antônio do Descoberto e Santa Maria pareceram medidas drásticas. Não para o especialista em recursos hídricos e professor da Universidade de Brasília, Sérgio Koide, que numa entrevista ao site Métrople (www.metropole.com, 10/02/2017) disse que a escassez de água no DF foi prevista há 12 anos e tem como causas o aumento do consumo e falta de planejamento por parte dos gestores do setor, que preferiram não investir em captação e deixar o sistema de abastecimento a mercê das condições climáticas.

Histórico

A redução do volume de chuvas nos últimos três anos, o aumento do consumo de água por conta do crescimento da população, a impermeabilização do solo causada pela criação de novos núcleos urbanos, a ocupação irregular de áreas próximas aos mananciais de abastecimento e  o baixo investimento em obras reduziram drasticamente o volume de água armazenado nas barragens do Descoberto e Santa Maria. Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), houve um aumento de 16% no consumo individual de água nos últimos seis anos, sendo a média até julho de 2016 de 175,1 litros por habitante, sendo o limite definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)  de 110 litros por pessoa, o que coloca a população brasiliense como um das que mais consome água no país.

No início de 2016, a Barragem do Descoberto, que abastece 60% da população da capital do país, estava com 100% de sua capacidade ocupada, e no dia 10 de fevereiro o volume de água chegou a 32,52%.

 Racionamento

Diante desta situação, que já vinha sendo anunciada  já em 2016 e,  desde o fim daquele ano, quem   consome mais de 10 metros cúbicos de água por mês é sobretaxado em até 40% na conta da Caesb. A redução na pressão dos canos e o racionamento   no fornecimento de água foram outras medidas planejadas para evitar um colapso nos sistemas Descoberto e Santa Maria.

No dia 16 de janeiro deste ano foi adotado um sistema de racionamento em forma de rodizio em todo o Distrito Federal – um grupo de localidades de diferentes regiões abastecidas pelo Descoberto teria a partir de então, o fornecimento de água cortado em um dia da semana, afetando 1,8 milhão de pessoas. Em fevereiro deste ano foi a vez das localidades servidas pelo reservatório de Santa Maria serem incluídas no rodízio de racionamento. No total, 80 % da população do DF ou 2,4 milhões de pessoas vivenciam as regras do racionamento elaboradas pela Adasa e executadas pela Caesb. Não há uma data para o racionamento ser encerrado, a Agência deverá manter o racionamento até que o níveis dos reservatórios cheguem a um percentual que possa garantir a segurança hídrica de abastecimento para a população. Com o rodízio e demais medidas adotadas pela Adasa, Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal  e as poucas  precipitações de chuva,  às 8h30 do dia 23 de abril o volume de água no Descoberto era de 55, 61%, e em Santa Maria, 53,61%.

Campanha na Mídia

Campanhas veiculadas na mídia e direcionadas à população comum chamam a atenção para a   importância de cada indivíduo economizar água. Pelos números registrados nos reservatórios e do histórico de consumo do brasiliense, há muito o que ser feito junto à população para que o abastecimento não se torne um problema perene no DF.

Mesmo com as medidas restritivas do uso da água executadas pela Caesb, a percepção das pessoas sobre o desabastecimento é de alguma forma superficial, e as mudanças que deveriam ser adotadas em casa, na rua, no local de trabalho ainda são vistas como responsabilidade do outro.

A Caesb disponibilizou em seu aplicativo para uso nos celulares e tablets uma ferramenta que permite ao usuário acompanhar o racionamento de água e ficar sabendo o dia em que sua região  será atingido pelo racionamento.  O mesmo serviço também está disponível no site da empresa.

Uma nova cultura

Diante da crise e do inevitável racionamento, soluções tidas como distante para a maioria dos brasilienses passam a fazer parte de seu cotidiano. Cada família busca o melhor modo de economizar água, de se adequar à nova realidade.  Uma nova consciência vai se formando a partir desta crise. Começa a haver uma mudança de percepção sobre os recursos do planeta. A de que somos parte de um sistema e temos que colaborar para que ele não entre em colapso. Aquilo que Fritijof Capra dizia sobre ecologia profunda em seu livro Teia da Vida, encontra ressonância no Planalto Central.

O armazenamento da água da chuva não é novidade para quem não dispõe de rede de água, mas agora começa a ser visto por muitos moradores do Distrito Federal como forma de economizar água tratada e utilizar a da chuva na lavagem de pisos, externos, rega de gramas, plantas ornamentais e hortas caseiras. Os custos desta opção variam de acordo com o volume a ser armazenado e equipamentos a serem utilizados (calha, depósito, filtro de água). Até porque desde o ano passado o uso da água da rede da Caesb está proibida para estes fins.

Na internet há muita informação sobre esta e outras formas de economizar água. Instituições especializadas promovem cursos presenciais para ensinar como captar e armazenar água da chuva com segurança.  Pode ser que tenhamos que no adaptar e conviver com a escassez por um bom tempo, até que novas tecnologias  sejam disponibilizadas e  a educação para o uso racional da água faça parte do cotidiano de uma grande parcela da população.

Translate »

Pin It on Pinterest

Share This